| PRA QUE SERVE ? |
Primeiro
problema:
Os índices de pessoas com obesidade vêm aumentando
no mundo todo. A desnutrição, que só ocorre
nos países em desenvolvimento, ainda se alastra entre
crianças e adolescentes de baixa renda. Como no Brasil
o sistema de saúde (SUS) não é suficiente
para atender toda a população, crianças
e adolescentes que são obesos ou desnutridos não
estão sendo identificados por não receberem atendimento
especializado.
O ideal é que toda a população infanto-juvenil
seja alertada quanto à necessidade de manter bons hábitos
alimentares e estilo de vida ativo, os quais podem ser adicionados
às rotinas destes jovens, praticamente sem custo. A alimentação
saudável e a prática regular de esforços
físicos são condições básicas
para boa condição de saúde e são,
em última análise, uma escolha de cada um de nós.
Crianças, e seus familiares, que estão à
margem do sistema de saúde (especialmente aqueles residentes
na extrema periferia), precisam ser informados sobre seu estado
nutricional e, ao ser identificada alguma alteração,
eles devem ser orientados para buscarem tratamento adequado.
Cabe dimensionar que na cidade de São Paulo residem 2.335.000
adolescentes em idade escolar, aproximadamente.
Neste contexto, como propor um diagnóstico em massa para
atender tantos jovens? Qual intervenção seria
eficiente para sensibilizar pais e familiares a se mobilizarem
no tratamento dos filhos que apresentem alterações
em seu estado nutricional? Como acompanhar se as providências
tomadas pela família sanaram ou estão sendo suficientes
pra tratar suas crianças?
Segundo problema:
O corpo reflete a saúde que foi obtida por meio de duas
condições principais: alimentação
adequada e prática regular de esforços físicos.
Obviamente tanto a obesidade quanto a desnutrição
são alterações que ocorrem por ingestão
inadequada de nutrientes e podem piorar significativamente se
houver prática imprópria de exercícios
físicos. Contudo, tais alterações do estado
nutricional podem ser sanadas, se identificados precocemente,
exatamento por meio da alimentação e de um estilo
de vida ativo.
Do ponto de vista psicosocial o corpo é referência
para formação do auto-conceito e da auto-estima.
Quando fora do padrão saudável pode ser fonte
de sérios problemas emocionais que irão interferir
diretamente nas escolhas pessoais e determinação
da própria história de vida, prejudicando de forma
concreta qualquer perspectiva de sucesso.
Do ponto de vista estético é na disciplina de
educação física escolar que se deve discutir
a beleza individual dos corpos, como se complementam em seu
conjunto e como não submeter-se ao domínio da
mídia e da moda (que hoje incitam que as pessoas sejam
desnutridas por exigir corpos macérrimos, os quais mostram
falta de saúde e fragilidade para o esforço físico).
Desta forma os jovens estão sendo estimulados a buscar
uma condição de saúde precária,
sem refletir a respeito. Eles precisam ser informados e ter
suas medidas comparadas a um padrão saudável,
não aquele apresentado impropriamente pela mídia.
Uma referência que apresente base em informações
fidedignas, como são, por exemplo, os dados da OMS (Organização
Mundial da Saúde).
O ideal é que toda a população infanto-juvenil
seja alertada quanto às questões do corpo, como
ele é formado a partir dos alimentos e como pode ser
utilizado para proporcionar movimentos e prazeres advindos desta
capacidade do mover-se (as quais extrapolam as esferas do sexo,
da sensualidade e dos esportes). Estes jovens precisam ser alertados
sobre a importância da diferença e da exclusividade
que o corpo deles tem! Por isso são únicos, belos
ao seu jeito e absolutamente importantes para que estas crianças
e adolescentes sejam os protagonistas de suas próprias
histórias de vida!
Terceiro
problema:
O professor de Educação Física mede e pesa
seus alunos anualmente mas não sabe que com estas duas
informações ele poderia diagnosticar se a criança
tem obesidade ou desnutrição. Disciplina que deveria
discutir com os escolares como é possível, por
meio da alimentação e da prática regular
de esforços físicos, mudar a composição
corporal e viver de forma saudável.
Outro aspecto essencial é desmitificar o conceito estético
e inadequado dos manequins e modelos fotográficos. Nesta
profissão as pessoas precisam ser desnutridas, pois este
é o padrão dito fashion. Os jovens precisam ser
informados que estes profissionais optam por serem bulímicos
ou anoréticos para manterem-se na área em que
escolheram trabalhar, mas que tal condição não
é saudável e sobre tudo é desumana.
O ideal é que crianças e adolescentes aprendam
a se valorizar, por seu corpo, por sua saúde e por entender
que estes são reflexos de uma alimentação
saudável e estilo de vida ativo, os quais podemos escolher!!
É claro que eles precisam aprender também que,
de vez em quando, comer alimentos não-saudáveis
também não leva alguém à morte.
Ao contrário, é importante conhecer para poder
escolher, poder optar e decidir, cônscio das possíveis
conseqüências.